quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Maldito

Maldito
Malditos olhos teus
Que num golpe atingiram os meus
 Estagnando se na mesma órbita
Olhar com hipnose ínsita
senti -a sem poder reagir no paulatino torpor no imo do meu consciente

Bendito
Bendito, os teus lábios húmidos e macios
Que me envolveram em beijos ofegantes
Que escaldam os lugares mais frios
Com movimentos ténues e circundantes
Como poderia eu resistir aos teus lábios?
Espessos, delgados
São adivinhos, conjecturam, são sábios!
 Sabem como alimentar rescaldos

Língua
Língua desmedida
Que faz Ponte amena do céu da sua ao da minha boca
Instigando a minha tímida, à brincar na sua toca
Ousada e desinibida
Que me fez experimentar sensação ambígua

Teu braço
O teu braço cingiu me num laço inerente
No teu regaço
Comprimido de serpente
Que desvanece toda e qualquer resistência
O coração acelera os fluxos nas minhas veias
Na tentativa desesperada de recompor se do domínio, vã insistência!
Pois, minuciosamente e sem peias
Proliferou se para o âmago
Pude sentir em cada momento vivas reacções dos lugares remotos do meu corpo entorpecido
Meu corpo sedento cedeu ao anelo do mago
Que me fez experimentar sem temor o prazer inibido

Bamba
Bambas ficaram as minhas pernas
Face as carícias ternas
Leves, leves não!
Flutuantes, sem gravidade, perdi o chão…

Espicaça
Espicaça, devore a minha estrutura, és o meu deleito
Oscula minuciosamente o carente marmelo
Me pressione no seu peito
 Me acta a ti num sublime elo
Sinta com as suas mãos o sumarento leito
Me abraça


Entre
Entre no meu ventre
A quanto do transpor do falo,
Me senti num ritmado embalo…

Andei, andei na lua
Laço ténue vime
Entrelaçou teu corpo desprovido de veste na minha feição plenamente nua
Para que não nos perdêssemos um do outro em ponto nenhum do momento sublime

                                                                   ...Liana Gonçalves....