Dez lindas meninas
Banhavam nuas no atlântico
Até que um dia
Arremataram os marinheiros, o coração do peito
Santiago a maior, foi a primeira a ceder o leito
Não disponham de riqueza
Sim, inédita e inconfundível beleza
Viram passar escravos de terras longínquas
De outras culturas, de outras línguas
Viram nos acorrentados, chibatados, alguns ali pereceram
Alguns fizeram delas o aconchego e ali permaneceram
O branco não resistiu ao feitiço
Do enlace nasceu o mestiço
Quando Feliz de pés descalços dançavam funana, enquanto triste catavam uma morna
Mas se enchem de alegria quando alguém retorna
Um dia conheceram um bravo guerreiro
Que encheu se de amor num olhar certeiro
Lutou destemido e para dar lhes a euforia
Que enamorado lhes prometera um dia
Hoje as belas meninas ainda banham no meio do mar
Lindas e disponíveis para quem as queira amar
…Liana Gonçalves…